quinta-feira, 19 de outubro de 2017

(In)Experiência Europeia

Num jogo em que SÉRGIO CONCEIÇÃO surpreendeu, ao dar a titularidade a JOSÉ SÁ, também a equipa surpreendeu com a pior exibição da temporada. Num duelo que promete na luta pelo apuramento, a experiência azul e branca esbarrou de frente com a irreverência alemã e foi “de cadeira” que assistiu à primeira vitória de sempre dos germânicos na prova.

À partida para a terceira jornada da fase de grupos da LIGA DOS CAMPEÕES, o FC PORTO, com três pontos e recordista de presenças na prova, procurava dar sequência à brilhante vitória no Mónaco. Em contraste, o RB LEIPZIG, com apenas um ponto e vindo de uma derrota, na Turquia, procurava a primeira vitória na “Champions”.

No entanto, e perante os factos, históricos entre eles, o técnico azul e branco foi o primeiro a tentar ditar leis no jogo dentro das quatro linhas. CASILLAS, um veterano na “liga milionária” foi relegado para o banco. Miguel LAYÚN, héctor HERRERA e sérgio OLIVEIRA foram de novo titulares, repetindo assim a mesma estratégia usada no principado.

Na formação alemã, ralph HASENHÜTTL deixou de fora a habitual dupla atacante (em condições normais), timo WERNER e yurary POULSEN, e apostou numa equipa mais veloz e ágil. Com três médios criativos no meio campo, naby KEÏTA, kevin KAMPL e emil FORSBERG, todos eles muito fortes entre linhas, com marcel SABITZER, na direita, e o português BRUMA, na esquerda, e com jean-kévin AUGUSTIN na frente, os “touros vermelhos” foram uma constante dor de cabeça, principalmente no primeiro tempo.

Assim sendo, num início de jogo penoso para o FC PORTO, que simplesmente não tinha bola e mesmo sem ela demonstrava uma inabitual intranquilidade, foi do banco que a experiência (CASILLAS) viu a inexperiência (JOSÉ SÁ) comprometer, num remate aparentemente inofensivo de BRUMA, mas em que a deficiente abordagem do guarda-redes azul e branco permitiu a willi ORBAN colocar o LEIPZIG em vantagem. Estavam decorridos oito minutos.

Com um meio campo do LEIPZIG tremendamente eficaz, quer na pressão, quer depois no desenvolvimento das suas jogadas, com FORSBERG, KEÏTA e KAMPL a ganharem constantemente a bola entre linhas, explorando depois a veloicdade de SABITZAR, BRUMA e AUGUSTIN, e com a estratégia de CONCEIÇÃO a não surtir efeito (DANILO jogou quase sempre descompensado e HERRERA e SÉRGIO OLIVEIRA nunca conseguiram ligar com o ataque), o jogo do FC PORTO estava entregue às individualidades de yacine BRAHIMI (algumas vezes em exagero) e ao jogo direto para vincent ABOUBAKAR. Ainda assim, e na primeira vez que os dragões se acercaram da baliza de péter GULÁCSI, acabou por empatar. Num lançamento lateral de LAYÚN, e depois de ganhar duas vezes nas alturas, ABOUBAKAR voltou a marcar na LIGA DOS CAMPEÕES.

No entanto, o golo do FC PORTO, que devia ser sinónimo de alguma tranquilidade, manteve tudo na mesma, deixando o vice-campeão alemão com o controlo e domínio do jogo e com uma zona defensiva (incluindo o meio campo defensivo) em fanicos. E depois de vários desperdícios, com BRUMA e AUGUSTIN à cabeça, o LEIPZIG voltou à vantagem, por FORSBERG, que aproveitou mais um “facilitismo” da defesa azul e branca. Três minutos volvidos, aos 40, e quando ainda se festejava o golo da vantagem, mais uma vez a equipa portista a facilitar. DANILO a errar um passe na zona central do meio campo e depois de um ressalto em iván MARCANO é AUGUSTIN que, na cara de JOSÉ SÁ, aumenta a vantagem.

Com a tarefa assaz complicada e, acredito, com muitos adeptos a recearem um resultado mais pesado, a equipa de CONCEIÇÃO teimou e não sair da discussão do resultado e, em cima do intervalo, em mais uma bola parada (canto batido por ALEX TELLES), HERRERA assistiu MARCANO para o 3-2, e de novo incerteza no resultado.

No segundo tempo, o FC PORTO melhorou defensivamente, passando a recuperar mais bolas e obrigando o LEIPZIG a baixar a pressão e a apostar no contra-ataque. Com mais bola, CONCEIÇÃO colocou ÓLIVER torres no lugar de um “perdido” SÉRGIO OLIVEIRA, mas mesmo assim as principais jogadas de perigo eram da equipa alemã. Aos 62 minutos, BRUMA obriga MARCANO a um corte praticamente em cima da linha e 10 minutos depois AUGUSTIN em jogada individual remata a rasar a trave.

Na dança das substituições, jesús CORONA rendeu BRAHIMI para refrescar o lado esquerdo do ataque azul e branco enquanto HASENHÜTTL colocou WERNER e POULSON para refrescar ataque. E apesar do alemão ter obrigado JOSÉ SÁ a uma boa defesa, com um remate cruzado, foi o FC PORTO que se acercou sem efeitos práticos da área adversária. No entanto, e com alguns passes e cruzamentos inconsequentes, o melhor que se viu foi um cabeceamento de moussa MAREGA que saiu ao lado da baliza germânica.

Assim, num jogo em que o FC PORTO podia fazer valer a sua experiência para alcançar um resultado positivo, a mesma só valeu para manter a incerteza no resultado. Quanto ao resto, o que se viu no RED BULL ARENA foi um conjunto de inexperiências que resultaram numa sombra daquilo que os “dragões” já mostraram ser capazes de fazer. SÉRGIO CONCEIÇÃO voltou a errar na Europa e vê numa vitória daqui a 15 dias uma obrigação. Primeiro, a curiosidade de ver a resposta, já no sábado, na receção aos “castores”, e perceber igualmente se CASILLAS volta, ou não, à baliza. Tem a palavra o mister e os seus jogadores.

DESTAQUES

IN

LADO ESQUERDO - ALEX TELES e BRAHIMI foram o mas próximo do habitual “Porto”. Uma enorme diferença para o resto.

MARCANO - Participou em vários “apagões” defensivos mas além do golo em cima do intervalo, colocou o FC PORTO em jogo ao cortar o remate de BRUMA em cima da linha.

ÓLIVER/CORONA - A entrada do espanhol e do mexicano deram outra expressão ao jogo azul e branco. Titularidade à espreita?

OUT

LADO DIREITO - Além de não ter acertado um único cruzamento, LAYÚN não faz esquecer RICARDO pereira. Já MAREGA não se deu por ele.

SÉRGIO CONCEIÇÃO - Voltou a errar na Europa. Em três jogos, qual será o FC PORTO europeu?

BALIZA - Não se compreende a saída de CASILLAS, num jogo de tamanha importância. Que seja mera opção e que o próximo jogo dite o regresso da “lenda”.

por Fábio Daniel Ferreira,
Muralha Azul

sábado, 14 de outubro de 2017

Luta Desigual Com O Desfecho Esperado

O FC Porto estreou-se ontem na Taça de Portugal na visita ao Restelo, a casa emprestada ao modesto Lusitano de Évora para receber aquele que é o atual líder do campeonato nacional.

O adversário era frágil, e um jogo com baixo nível de dificuldade era o esperado. Quando se tem do outro lado um adversário como aquele que encontramos ontem, uma equipa do terceiro escalão e a consequente desigualdade de argumentos, o difícil mesmo é manter os níveis competitivos e motivacionais dos atletas que lhes permitam encarar a partida com o mesmo profissionalismo e seriedade que merecia o adversário. E foi isso mesmo que aconteceu, o jogo foi encarado como devia ser, abrindo a oportunidade aos menos utilizados e tempo para alguns miúdos que se vão destacando na B, com destaque para Dalot que saltou para a titularidade no lado esquerdo da defesa que contou ainda com Diego Reyes a fazer parceria com o capitão Marcano.

O FC Porto entrou apostado em dar mostras que não estava ali para cumprir calendário, e à semelhança do que faz em qualquer outro jogo, entrou forte e motivado, com a agressividade que o caracteriza e à procura do golo que surgiu praticamente em dose dupla: aos 20 e 21 por Aboubakar, "obrigado" a ir a jogo em virtude da lesão de Soares. Resultado que prevaleceu até ao intervalo pese embora as oportunidades criadas.

O segundo tempo seguiu pela mesma linha e foram 4 os golos apontados. Marcano, Otávio, Galeno e Hernâni foram os marcadores, fixando o resultado em 6-0. Com destaque para o golo do extremo português, mesmo a pedir uma primeira página d'A Bola a desejar um Puskas.

Para além de Diogo Dalot, esta foi uma partida que serviu ainda para lançar pela primeira vez Galeno, Luizão e Jorge Fernandes.

O resultado final foi o espelho de um luta desigual que já se esperava e de um FC Porto que jogou em ritmo alto como o faz contra qualquer outra adversário e isso foi o mais importante.

Destaques:

IN 

Dalot / Galeno - Fico sempre reticente em falar que determinado jogador deu mostras que "podem contar com ele", tendo por base jogos como este, em que o adversário é tão inferior que um jogador com a mínima qualidade inserido numa equipa rotinada e bem trabalhada dificilmente não mostra serviço. Contudo, destaco positivo para Dalot e Galeno. O primeiro a demonstrar a qualidade que lhe é conhecida é feito e uma maturidade que se se mantiver assegurar-lhe-á um lugar no 11 do FC Porto no futuro, e Galeno que para além do golo deu continuidade àquilo que tem vindo a fazer pela equipa B.

Mar Azul - Mesmo num jogo contra uma equipa de pouca dimensão, onde o resultado já se adivinhava foi boa a moldura humana que apoio o FC Porto no Estádio do Restelo.

Termino com um olhar rápido para o Relatório & Contas do FC Porto dado a conhecer esta semana. Os números apresentados eram algo que se perspetivava. Apresentar prejuízos não pode ser bom, mas há o aspeto positivo: o prejuízo de pouco mais de 35 milhões de euros é o reflexo da gestão ruinosa dos últimos anos, mas dá mostras de se estar a inverter, superando os valores defendidos pelo Fair-play financeiro da UEFA. 

Mas, mais do que isto, o que destaco foram as declarações de Fernando Gomes. O Administrador da SAD Portista disse, a dado momento, que o FC Porto tinha contrato com demasiados jogadores e que quando regressavam ao clube, alguns até se estorvavam
uns aos outros. Achei piada à forma como falou Fernando Gomes: diz que o FC Porto tinha jogadores a mais como se os responsáveis por isso fosse um ser externo ao clube, cujas decisões eram impossíveis de controlar. Há anos que se fala das contratações disparatadas que iam sendo feitas ano após ano sem que ninguém percebesse a sua necessidade. Os jogadores só começaram a estorvar-se este ano? 

Depois de ter atirado as culpas dos resultados financeiros para NES num passado recente por este não querer vender Herrera, agora FG sai-se com esta.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O Nulo Que Mantém Tudo Intacto

Naquele que era o primeiro clássico do campeonato português, o FC Porto rumou à capital para trazer de Alvalade uma vitória que nos escapa já desde os longínquos tempos em que Jesualdo Ferreira era o timoneiro portista.

Ainda não foi desta, mas fizemos bem mais que o suficiente para o conseguir. Como consolação resta-nos a liderança intacta no topo da tabela classificativa.

É impossível não dizer que, no final deste Sporting CP - FC Porto, era notório o amargo de boca, tal foi o futebol apresentado pela equipa de Sérgio Conceição. Fomos em quase tudo melhores, e no primeiro tempo assistiu-se a uma verdadeira avalanche azul e branca que só encontrou em Rui Patrício o único resistente da equipa adversária.

À semelhança do que havia acontecido terça-feira, pudemos assistir a um FC Porto calmo, convicto das suas capacidades, agressivo e sem medos lá na frente.

Entrando com os mesmos 11 que fizeram mossa no Mónaco, à excepção do lesionado Ricardo Pereira, os Dragões entraram em campo com um único objetivo: vencer. E, de facto, apenas podemos apontar à finalização o único ponto negativo da nossa equipa já que, por várias vezes, desaproveitou as oportunidades que iam sendo criadas. 

De novo em 4-3-3, a grande superioridade portista refletiu-se no seu meio-campo, onde secou por completo quaisquer tentativas de avanço no terreno por parte da equipa da casa. A reação à perda da bola era imediata, como tal, a pressão exercida sobre o transportador da bola adversário era tal que rapidamente o FC Porto recuperava a redondinha mesmo antes do Sporting se aproximar do nosso último terço do campo. Desta forma, não só se anulou o jogo interior do adversário, mas também as investidas pelas laterais, onde os da casa criam perigo com bolas para Bas Dost. Prova disso foi o primeiro lance de perigo pelas laterais registado já muito próximo do fim do primeiro tempo. Em suma, o pouco perigo que ia sendo criado pelo Sporting apenas se registava através dos lances de bola parada.

Na frente, Brahimi e Abou iam fazendo em água a defesa sportinguista, mas foi Marega o autor de duas das melhores oportunidades de golo para os azuis e brancos. Soltos, o trio ia criando oportunidades de várias formas. Sempre sob a batuta de Brahimi, o FC Porto podia ter inaugurado e ampliado o marcador várias vezes com principal destaque para o cabeceamento à trave de Marega e a recarga de Aboubakar defendida por Patrício.

Ao intervalo, o domínio portista era inquestionável. O FC Porto contabilizava 8 remates (5 enquadrados), contra apenas 1. O jogo era, portanto, de sentido único e ficava a convicção de que, continuando a toada, o golo teria de aparecer no segundo tempo.

Pese embora a convicção, tal não aconteceu, essencialmente devido ao facto de não ter sido possível manter o sentido único do primeiro, devido à quebra física da qual se ressentiu a equipa nos segundos 45 min. O desgaste causado pela correria no primeiro tempo, pela pressão constante e contra-ataques rápidos, permitiu ao Sporting equilibrar os pratos de uma balança com claro pendor para os Portistas. Assim, com alguma normalidade, o FC Porto consentia mais espaços a defender e oferecia menos discernimento no capítulo ofensivo mas sem nunca se vir em situação de perigo iminente, tendo, inclusivamente, criado também a melhor ocasião de golo da segunda-parte, novamente por Marega.

A partida viria a chegar ao fim com o nulo no marcador e, mais do que 1 ponto ganho foram, isso sim, 2 pontos perdidos, mas exibição só nos pode deixar satisfeitos. Seguimos lideres!

Destaques:

IN 

DOMÍNIO - A primeira parte portista remeteu um Sporting a cinzas, sem conseguir criar qualquer perigo a Iker. Chegou a ser deliciosa a forma como o FC Porto dominava todos momentos do jogo, a defender, a atacar, com bola e sem bola, pressionante e atrevido.

BRAHIMI - o argelino está no seu melhor momento de forma e isso é inegável. Quando saiu do terreno, saiu esgotado, mas até lá deu bem mostra de si. Fez um remate, enquadrado, dois passes para finalização e voltou a dominar nos dribles, com quatro certos em sete tentativas. 

OUT

FINALIZAÇÃO - Com tantas e tão boas oportunidades criadas, sobretudo no primeiro tempo, que nos permitiriam alcançar um resultado confortável os azuis e brancos pecaram e o nulo prevaleceu no final.

QUEBRA - A partir dos 20' do segundo tempo o FC Porto quebrou e deu-se o melhor momento do Sporting. Seria ótimo que uma equipa conseguisse manter durante 90' o nível que apresentou durante 45, mas tal não é possível. O jogo a que se prestaram os portistas foi extremamente desgastante, quebra física percebe-se.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Reis No Principado

Depois da derrota caseira consentida frente aos turcos do Besiktas, a segunda jornada da prova milionária ditava uma difícil deslocação ao Mónaco, para defrontar aquela que foi a equipa sensação da última Champions e o atual campeão francês. O resultado, esse, não podia ser mais revelador da jogatana que fizemos em pleno  Louis II: 0-3, nem o mais otimista dos adeptos apontaria para estes números. E não, não venham com a conversa de que o Mónaco não é a mesma equipa para diminuir os méritos desta vitória. É verdade que Mbappé's, Bernardo's ou Mendy's não se substituem num estalar de dedos, mas os gastos em reforços deste Mónaco superaram os 100 milhões de euros.

Sérgio Conceição disse que o FC Porto ia demonstrar a sua grandeza e se Sérgio disse, está dito. Assim foi. Arrisco-me a dizer que da mesma forma que perdemos o jogo contra os turcos, vencemos este contra os franceses. Frente ao Besiktas as debilidades de um meio-campo em inferioridade numérica (apenas dois jogadores na zona intermédia) fizeram-se sentir. Sérgio Conceição podia ser teimoso e insistir na formula que vai fazendo sucesso internamente, mas assim não foi. O treinador assumiu os erros, percebeu o que tinha falhado e mudou. Frente ao Mónaco, num 4-3-3, fez entrar um meio-campo com mais gente e robusto ao qual se aliou uma equipa com grande solidez que secou por completo o adversário que, curiosamente, apresentou apenas dois homens no miolo: Moutinho e Fabinho.

Com a surpresa no 11 portista a ser Sérgio Oliveira, o FC Porto apresentou-se no Principado apostado em brilhar. Com a lição muito bem estudada, os dragões montaram uma verdadeira teia que anulou por completo o jogo dos campeões franceses. O FC Porto não teve problemas em dar iniciativa aos Monegascos porque sabia exatamente aquilo que tinha que fazer sem bola. Ora a defender em 4-4-2, com Herrera na ajuda a Aboubakar a pressionar os defesas contrários, ora em 4-5-1, o FC Porto anulou a construção dos franceses que procuravam essencialmente em Moutinho para o fazer. Sem muito espaço, os da casa viam-se obrigados a bater para as laterais.

Se sem bola os jogadores sabiam perfeitamente aquilo que fazer, com ela o critério era notório: velocidade, passes rápidos, tabelas, aproveitar o génio de Brahimi ou a explosão de Marega e  depois com um Aboubakar quase sempre no sítio certo. Assim, rapidamente o FC Porto se punha na área adversária criando perigo por diversas vezes. Marcou 3, criou oportunidades para mais, e nunca consentiu ao Mónaco a possibilidade de crescer no jogo, mesmo perante as alterações cada vez mais balanceadas para o ataque executadas por Leonardo Jardim. Os portistas mostraram-se sempre suguros e confortáveis com aquilo que estavam a fazer.
             

Em termos táticos este FC Porto foi de excelência, de tal forma que reduziu os Monegascos, com um ataque avassalador, a uma oportunidade clara de golo.

Aboubakar por duas vezes e Layún, abrilhantaram uma noite de Champions como há muito não se via, daqueles que nos deixam totalmente consolados e com um sorriso no rosto. 

Destaques:

IN

Sérgio Conceição - O mérito desta vitória vai todo para ele. Detetou os erros, corrigiu, arriscou e ganhou. Tudo o que este FC Porto tem feito é mérito de Sérgio Conceição que tem tirado o máximo de cada um dos jogadores. Ontem, foi mais um exemplo disso. Com Herrera, S. Oliveira e Marega em campo, jogadores que contavam muito pouco no passado, deu espetáculo.

O coletivo - Quando se faz um jogo taticamente tão bem conseguido como este é impossível não destacar o coletivo da equipa. Todos os setores estavam cientes daquilo que tinham que fazer, executaram quase sempre bem, e isso refletiu-se no resultado.

Marega / Brahimi - Completamente diferentes entre si, mas igualmente essenciais naquilo que oferecem ao jogo. Quem diria que "Marega" e "essencial" estariam na mesma frase, mas é verdade. Marega um verdadeiro comboio, pese embora as suas debilidades que facilmente se detetam, acrescenta uma força, velocidade e capacidade de sofrer faltas incríveis, que leva a equipa para a frente com grande facilidade. Ontem fez mais duas assistências e vai surpreendendo mais a cada jogo que passa. Já Brahimi parece que finalmente vê reconhecidos os méritos que, em tempos, nem todos viam. Oferece uma genialidade que mais nenhum outro é capaz e com a bola nos seus pés o jogo ganha outro perfume. Esteve endiabrado e aquele passe para Marega no segundo golo é delicioso.

Segue-se o Sporting e a equipa visita Alvalade no melhor momento. Confiante e moralizada pelo campeonato feito até ao momento, o FC Porto tem domingo a oportunidade de rematar uma semana em grande para os azuis e brancos. Tenho a certeza que os resultados não subirão à cabeça dos atletas, mas é certo que há muito não chegávamos tão bem a um Clássico.

domingo, 24 de setembro de 2017

A Sétima Sem Pensar Nos Rivais

Chamado a entrar em cena antes dos rivais, e numa partida “pré champions”, o FUTEBOL CLUBE DO PORTO não se inibiu de querer resolver cedo a questão dos três pontos. Com um ataque demolidor e uma defesa com sobressaltos a sétima vitória consecutiva vale, por via do empate do SPORTING CP em Moreira de Cónegos, a liderança isolada. Isto, sem acordar a pensar nos rivais.

Na receção ao recém-promovido PORTIMONENSE SC, que ainda há cerca de duas semanas colocou o SL BENFICA em sentido, em plena LUZ, o FC PORTO registou apenas uma alteração em relação à partida de Vila do Conde, o regresso à titularidade de jesús CORONA em detrimento de OTÁVIO, mantendo, pela segunda partida consecutiva, héctor HERRERA no onze inicial. Para mim, este era um dos sinais que o foco para sérgio CONCEIÇÃO estava direcionado para a equipa algarvia e que o jogo com o AS MÓNACO, de terça feira, ficaria para segundo plano.

E de facto, o inicio de jogo no DRAGÃO mostrou um FC PORTO determinado a resolver o mais rápido possível a partida, evitando assim qualquer tipo de imprevisto. Mesmo sem uma pressão asfixiante, em algumas vezes algo passiva até, com bola a equipa de CONCEIÇÃO era vertical e colocava com alguma facilidade a bola junto ao setor mais recuado do PORTIMONENSE. Assim, e após os ameaços mais concretos de vincent ABOUBAKAR, que isolado por yacine BRAHIMI, logo aos quatro minutos, rematou ao lado e por RICARDO pereira que, numa jogada iniciada no lateral contrário acabou, também ele, por errar o alvo por muito pouco, os azuis e brancos resolveriam a questão em cerca de cinco minutos.

Aos 20', na sequênca de um canto de alex TELLES e aproveitando a atrapalhação de EWERTON e WELLINGTON carvalho, ivan MARCANO inaugurou o marcador, destacando, aqui, o facto do FC PORTO estar à três partidas consecutivas a marcar neste tipo de bola parada. Três minutos passados, foi a vez do camaronês ABOUBAKAR aproveitar um lance de insistência de CORONA, na esquerda e, à segunda, regressar aos golos. Com a defesa da equipa de VÍTOR OLIVEIRA a tremer por todos os lados, aos 26' foi a vez do outro avançado azul e branco, moussa MAREGA que, na cara de RICARDO FERREIRA e de novo com assisência de CORONA, acabou por picar a bola e fazer o 3-0 dificultando ainda mais a tarefa dos visitantes.

A partir daí e até ao intervalo, com um PORTIMONENSE mais afoito (passou a jogar com o japonês shoya NAKAJIMA mais perto de FABRÍCIO), os dragões baixaram um pouco o ritmo de jogo e, já depois de uma ameaça de PEDRO SÁ, que rematou ao lado, é o irrequieto NAKAJIMA que, com classe, concluiu uma boa jogada coletiva fazendo o 3-1, num lance também, em que a defesa portista podia ter feito algo mais.

Com o FC PORTO confortável no jogo e no resultado, a reação do PORTIMONENSE, que ainda mantinha a esperança de entrar na discução pelos pontos, foi anulada logo à nascensa da segunda parte, com o golo de BRAHIMI a concluir mais um bom entendimento do ataque portista, terminando aí, definitivamente a história do jogo. BRAHIMI, aliás, iria ainda bisar na partida, no melhor lance do jogo, coroando assim mais uma bela exibição.

Numa segunda parte marcada também, por um PORTIMONENSE que mostrou ter argumentos para uma época mais tranquila, e que ainda voltou a marcar, por RÚBEN FERNANDES, em mais uma desatenção da defesa portista, destaque para as entradas de ÓLIVER torres e SOARES, em troca com CORONA e ABOUBAKAR e para os primeiros minutos de diego REYES que substituiu DANILO pereira.

E assim, numa partida com muitos momentos altos mas sem grande história, visto que o FC PORTO foi forte demais para o PORTIMONENSE de VÍTOR OLIVEIRA e, mesmo havendo algum relaxamento defensivo, CONCEIÇÃO olhou mais uma vez para a sua equipa e para o seu jogo. Com isso, a sétima vitória em sete jogos está alcançada e a pressão nos ombros do SPORTING também. Aliás, na resposta ao triunfo portista os leões não foram além de um empate, frente ao MOREIRENSE FC, o que deixa o FC PORTO isolado no primeiro lugar, isto, antes do clássico de ALVALADE.


Destaques:

IN

Ataque - 19 golos em 7 jogos. Um golo a cada meia hora é um otimo registo, assim como o terceiro jogo consecutivo a marcar na sequência dum canto.

BRAHIMI e MAREGA - Nem sempre “compreendidos” estão ambos a viver o melhor momento com a camisola do FC PORTO. A equipa agradece.

LIDERANÇA - Importante antes do clássico. Mais importante ainda é a forma como foi alcançada. 7 jogos, 7 vitórias.

PORTIMONENSE - Não obstante o resultado foi uma boa surpresa no DRAGÃO. Sem autocarros e com um nipónico que se destaca. NAKAJIMA é craque.


OUT

DEFESA - Depois de um registo imaculado nos primeiros 5 jogos, vão 6 golos em 3 partidas, 5 deles no DRAGÃO.

IMPRENSA - Adorei a flash interview de CONCEIÇÃO. O motivo não merecia outra resposta.

por Fábio Daniel Ferreira,
Muralha Azul.

sábado, 16 de setembro de 2017

Descer À Terra Num Choque de Realidades

Num início de época em que os números impressionavam, o FUTEBOL CLUBE DO PORTO mostrou a sua pior face, logo na estreia europeia. Numa derrota inesperada e que pode hipotecar a passagem dos azuis e brancos aos oitavos, da LIGA DOS CAMPEÕES a confiança virou desconfiança e a ilusão bateu de frente com a realidade.
                                    

5 vitórias em 5 jogos, 12 golos marcados e 0 sofridos era o registo deste FC PORTO até ao momento na presente época. Perante estes números, o DRAGÃO vestiu-se de gala para a receção ao BESIKTAS JK, na estreia na “liga milionária e o objetivo era claro: conquistar os três pontos contra a, teoricamente, equipa mais acessível do grupo. Pois bem...

RICARDO pereira e tiquinho SOARES foram as novidades de sérgio CONCEIÇÃO para a partida frente aos turcos, utilizando o sistema habitual, ou seja, o 4-4-2, com SOARES e moussa MAREGA na frente, DANILO pereira e ÓLIVER torres como médios centrais, atuando jesús CORONA e yacine BRAHIMI pelas alas. Enquanto isso, senol GÜNES apresentou um onze sem um ponta de lança declarado, preferindo preencher a zona do meio campo e começando aí a colocar as primeiras dificuldades aos azuis e brancos. Perante um meio campo, como referi, com dois homens na zona central (DANILO e ÓLIVER), o BESIKTAS apresentou 3 homens e meio, (atiba HUTCHINSON, anderson TALISCA e oguzhan OZIAKUP, mais o “falso 9” cenk TOSUN) conseguindo, não só ter a posse de bola nessa zona, como a conseguia fazer girar à vontade por todo o campo. Destaque ainda, para a inexistente pressão que o FC PORTO incutiu ao jogo, juntando a isso as lentas recuperções defensivas.

Assim sendo, pela primeira vez esta época, o FC PORTO encontrou um adversário que quis jogar, em detrimento de apenas anular o nosso jogo e nesse confronto tático o BESIKTAS foi mais forte. BRAHIMI e CORONA eram quase sempre os destinatários para as jogadas de perigo e embora os turcos deixassem bastante espaço na zona intermédia do terreno, a definição das jogadas raramente era a mais acertada. Do outro lado e, perto do quarto de hora, de passe em passe a bola chegou aos pé de ricardo QUARESMA que sem meias medidas deu a TALISCA a possibilidade de bater iker CASILLAS e fazer o 0-1. No entanto, e oito minutos depois, numa altura em que BRAHIMI já ocupava a zona central, em troca com ÓLIVER, que já tinha acertado no poste, o FC PORTO acaba por empatar, num auto-golo do servio dusko TOSUN.

Esperando que o golo desse o click para os dragões serem mais afoitos, principalmente na recuperação da bola, é TOSUN, o efeito surpresa na zona central que, aproveitando a tal apatia portista, dá nova vantagem às águias negras, num grande golo mas, em que CASILLAS fica um pouco mal na fotografia.

Ao intervalo, CONCEIÇÃO retirou CORONA (simplesmente não esteve em campo) e ÓLIVER, este estranhamente, e tentou preencher o meio campo com as entradas de ANDRÉ ANDRÉ e de OTÁVIO passando a jogar em 4-3-3 (DANILO-ANDRÉ-OTÁVIO e MAREGA-BRAHIMI-SOARES). E se a princípio resultou, a pressão foi mais eficaz e o FC PORTO teve o seu melhor momento com bola, a eficácia desaparecia nos momentos de decidir perto da área adversária (destaque ainda assim para uma assistência de BRAHIMI para SOARES obrigar FABRI à defesa da noite). Respondendo, e perante a subida do FC PORTO, o técnico turco mexe no meio campo com o intuito de fechar a partida. Nesse sentido, retira OZYAKUP, o mais exterior dos 3 médios e coloca gary MEDEL.

Num momento em que, ofensivamente, o FC PORTO era apenas BRAHIMI (!!!) e em que CONCEIÇÃO voltara ao 4-4-2 (HERNÂNI substituiu DANILO) ryan BABEL acabou por matar o jogo, numa jogada em que o BESIKTAS fez da bola o que quis. O golo, terceiro encaixado por CASILLAS, fez com que várias cadeiras do DRAGÃO ficassem vazias, e que o som dos cânticos das claques colidissem com alguns assobios numa imagem muito vista em épocas recentes.

Após 2 meses de euforia, e no primeiro jogo duma realidade diferente da habitual, percebe-se que o FC PORTO também tem falhas (sempre as teve), e que está longe da estabilidade exibicional. Quanto a CONCEIÇÃO, acreditamos que sempre teve os pés assentes na terra onde os adeptos aterraram agora, e confiamos, por isso, que os erros também por ele cometidos neste jogo, possam ser corrigidos. E acreditando que ainda é bem possível lutarmos por um dos lugares de acesso aos oitavos da champions a nossa LIGA DOS CAMPEÕES segue domingo, em Vila do Conde.

DESTAQUES:

IN

BRAHIMI
Perdeu bolas, errou passes, mas foi, durante os 90 minutos a principal dor de cabeça para os turcos.

PEPE – QUARESMA
Dois “regressos” que saudámos, e que, no momento certo, nos deram o devido destaque.

RESISTENTES
Apesar das cadeiras vazias, ao sexto jogo oficial, houve quem quisesse fazer parte da preparação para o jogo frente ao RIO AVE. O apoio no final do encontro é um bom sinal. 

OUT

CORONA
A exibição foi pobre, mas o mexicano foi uma nulidade.

ADEPTOS DE CONVENIÊNCIA
Deixar o lugar e abandonar o estádio a 10 minutos do fim não me espanta. Aplaudir mais os adversários que a própria equipa para mim já é estranho.

ANTHONY TAYLOR
Permissivo numas vezes, rigoroso noutras nunca se entendeu com o jogo. A competição merecia melhor.

por Fábio Daniel Ferreira,
Muralha Azul.

domingo, 10 de setembro de 2017

O Melhor Arranque dos Últimos 5 anos

A receção ao GD Chaves deu o mote ao melhor arranque de campeonato do FC Porto dos últimos 5 anos com destaque para novo jogo sem sofrer golos. Ao cabo de 5 jornadas, são já 12 os golos marcados e 0 sofridos, fazendo dos Portistas a única equipa que mantém as suas redes invioláveis neste campeonato.

Sérgio Conceição surpreendeu ao lançar no 11 inicial Layún no lugar de Ricardo Pereira, e o mexicano não conseguiu fazer esquecer a ausência do português. 

O primeiro tempo foi bastante equilibrado, resltando, nesse sentido, em poucas oportunidades de golo. As únicas dignas de registo pertenceram ao FC Porto, protagonizadas por Brahimi e Danilo.

A equipa transmontana defendia com qualidade e bloqueava o jogo do FC Porto que, sem espaços, encontrava grandes dificuldades para criar perigo. A isso juntava ainda critério no seu momento ofensivo chegando a apanhar o FC Porto em inferioridade numérica, fruto dos homens que os azuis e brancos colocavam no meio campo adversário para construir o seu jogo.

A pouca produtividade dos 45 min iniciais dos comandados por Sérgio pode explicar-se pelo baixo rendimento de alguns dos seus atletas, ora por mérito do adversário, que não deixando espaço nas entrelinhas anulou um Aboubakar que precisa de espaço para recuar e vir buscar jogo, mas também pela desinspiração de alguns atletas. A asa direita do FC Porto é o exemplo disso mesmo com um Corona a quem tudo saía mal (tendo sido substituído ao intervalo) e um Layún que não lhe ficou muito atrás, onde lhe faltou essencialmente o fulgor ofensivo. Perante a importância que têm as alas no jogo de Sérgio Conceição e só com uma delas a funcionar, juntando uma equipa que defendia bem, eram naturais as dificuldades dos Portistas.

Ia-se destacando Brahimi que dava outro perfume ao jogo azul e branco. Nos primeiros 35 minutos, o argelino registou três dribles eficazes em quatro tentativas, contabilizando ainda 93% de passes certos.

No segundo tempo o espetáculo melhorou. Aumentaram as oportunidades para ambos os lados, mas foi o FC Porto a sorrir.

Os Dragões entraram praticamente a vencer no segundo tempo, com Aboubakar a beneficiar do espaço que lhe faltara na primeira parte e a inaugurar o marcador.

O FC Porto viria ainda a fazer mais 2 golos, não sem antes beneficiar do desacerto flaviense que, isolados por duas vezes na cara de Casillas mandaram para fora. A equipa da casa não foi na mesma onda e aproveitou as oportunidades criadas. Soares a regressar da melhor forma ampliando de penalti e Marega a fechar a contagem num golo que coroou um jogo de raça do Maliano.

O segundo tempo foi em muito diferente do primeiro, com o FC Porto a beneficiar das mexidas do seu treinador. Com Marega no lugar de Corona, e Soares na companhia a Abou, ganhamos velocidade e metros junto da área adversária, fruto da força e insistência de Marega que ia galgando metros e faltas como podia. A isto juntou-se ainda, de novo, a boa leitura de jogo de Sérgio Conceição que, tal como havia acontecido em Braga, fez entrar André e Otávio e adotou o 4-3-3. Assim, povoou o meio-campo e a encurtou os espaços que eram aproveitados pelo flavienses após o 1º golo sofrido.



Venceu a melhor equipa que embora num jogo em que sentiu dificuldades conseguiu despachar os visitantes com 3 golos sem resposta.

Destaques

IN 

Marega - MVP da partida. Foi no segundo tempo, com a alteração de posição que mais se destacou. As suas limitações são evidentes, mas a força e raça que demonstrou foram foram superiores aos seus pontos fracos. De tal forma que deu muito mais ao jogo do que o tecnicista Corona. Deu velocidade, abriu espaços e marcou.

Oliver - Para além da assistência açucarada para Marega, o médio fez ainda dois passes para finalização, tentou seis cruzamentos (um eficaz), acertou 86% dos passes (nove em dez longos) e ainda recuperou sete vezes a bola e realizou quatro desarmes. Cada vez mais o maestro desta equipa.

OUT

Corona - Apareceu pouco em jogo e das poucas vezes que o fez foi para perder bolas. Já o tinha dito em post's passados: Corona é daqueles que faz 1 bom jogo e logo de seguida dois ou três em que passa completamente ao lado. Ontem foi exemplo disso, depois de em Braga se ter exibido em bom plano.

Layún - Não foi noite para os mexicanos que estiveram em campo. Layún saltou para o 11 mas não me pareceu ter conseguido aproveitar a confiança dada pelo treinador. Não ofereceu profundidade e foi muito perdulário no capítulo defensivo. Teima a não vir ao de cima o Layún da primeira época de Dragão ao peito.